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Mensagem por Dr Gestante online em Ter Ago 13, 2013 3:35 pm

 Primeiro de tudo: esqueça o senso comum. Segundo: amamentar pode ser, sim, muito difícil, mas não impossível. Nenês foram projetados para mamarem em suas mães. As mães foram projetadas para produzir leite e nutrirem seus filhos. E ponto final.
Desculpe se sou radical, mas me dói a alma ouvir gente falando que não deu de mamar porque seus seios cairiam. Acredito muito no livre arbítrio e respeito quem decidiu não amamentar, seja pelo motivo que for, mas não concordo. Respeitar é uma coisa, concordar é outra.
Infelizmente, existem mulheres que não conseguem amamentar. Mas saiba que a maioria consegue reverter dificuldades monstruosas de amamentação, mas para isso é preciso informação, determinação e apoio, muito apoio (a começar dentro de casa).
Durante a gestação de Sofia, obviamente que também idealizei a amamentação. Meu sonho era que ela nascesse de parto normal e saída da barriga, com seu cordão ainda pulsando, fosse plugada em meu peito. Seria nossa primeira ligação, nossa primeira troca de olhares e ela sentiria que eu estaria sempre com ela, para nutri-la em todos os sentidos. Só que a vida nos pregou uma peça e, embora eu tenha dado à luz de parto normal, vi minha menina ao longe, ser levada em uma incubadora.
Em suas primeiras horas de vida, Sofia foi alimentada com leite materno de doadora. Depois, nos três primeiros dias, sua alimentação era intercalada com leite de doadora e fórmula. Demorou para que ela recebesse meu leite porque recebi informação errada na maternidade sobre o lactário e, quando cheguei até lá, era preciso apresentar um exame que eu não achava de jeito nenhum. Meu obstetra, o Dr. Rubens, foi até o hospital deixar uma declaração de que eu tinha feito o exame de hepatite e havia dado negativo. Com isso, o leite que eu já havia ordenhado começou a ser oferecido para Sofia.
Como vocês sabem, Sofia nasceu de 30 semanas. Os bebês, segundo me contaram na maternidade, só desenvolvem a coordenação de sucção-respiração-deglutição com 34 semanas, sendo assim, até lá minha menina seria alimentada com sonda. As 12 horas que eu passava no hospital diariamente eram divididas entre falar com os médicos, fazer canguru-conversar-acarinhar-amar-Sofia e ordenhar. A cada 3 horas eu subia no lactário para tirar leite. Essa rotina não só garantia o alimento mais perfeito para a minha filha como também fazia com que minha produção não cessasse.
Num dado momento, percebi que o leite começou a diminuir. Entrei em pânico. Eu não queria correr o risco de Sofia ter alta e eu não amamentá-la. Corri no Rubens e expliquei tudo. Ele me acalmou e me receitou um remédio para aumentar minha produção, mas logo emendou: “Luciana, eu não sei qual sua expectativa em relação à amamentação, mas os prematuros têm muita dificuldade em mamar no peito, principalmente porque eles nascem com os músculos da face flácidos”. Minha resposta foi taxativa: “Rubens, minha expectativa é alta e vou conseguir”. Ele deu aquele sorriso largo e me entregou a receita. Antes que alguém aponte o dedo: meu médico não estava me desencorajando, apenas estava me alertando, aliás, quem o conhece sabe bem disso.
Conversei com a pediatra sobre o remédio e ela me deu o ok para seguir em frente. Minha produção aumentou absurdamente e Sofia só se alimentava do meu leite, mesmo que por sonda.
Com 33 semanas, a fonoaudióloga entrou em cena para ensinar Sofia a mamar. Os treinos, porém, são com mamadeira. Aquilo me arrepiava. Deixei claro para ela que eu queria muito amamentar e ela disse que me ajudaria. Com 34 semanas, insisti e colocaram minha menina no meu peito. A felicidade tomou conta de mim. Sofia tinha uma sugada forte e uma vontade louca de estar ali, juntinha de mim, sem caninhos, sem artificialidades.
No entanto, na UTI tudo é um processo. Eles precisam saber que ela estava alimentada, então, no início, meu peito era o coadjuvante da mamadeira. Quando ele passou para ator principal, o bicho pegou. Sofia mamava bem o peito esquerdo, mas o direito…parecia que não havia encaixe, ela não pegava, eu tinha medo de machucá-la, afinal, ela era muito pequenina, molinha, magrinha. Era uma luta.
O ambiente da UTI dificultava mais ainda. Eu tinha 30 minutos para dar o peito, se não rolasse a mamadeira tinha que entrar em cena rapidamente. Pra piorar, as enfermeiras ficavam em cima: “e aí, mãezinha, ela pegou?”, “e aí, mãezinha, tá dando certo?”, “mãezinha, olha a hora, ela tem que pegar o peito”. Eu estava enlouquecendo e ficando triste. Encasquetei que o problema era meu bico, que é plano, mas não conseguia entender porque no peito esquerdo – que também tem bico plano – ela mamava. Além disso, somava ao fato de que ela era recém-nascida e prematura, ou seja, mais dormia que mamava.
Tudo o que eu queria era tirá-la de lá. Então, coloquei o sentimento numa caixinha e fui pragmática: nada de peito. Isso mesmo. Eu, que tanto queria amamentar, estava desistindo da amamentação. Ops, vamos corrigir: eu não estava desistindo, eu estava bolando uma estratégia louca. Mamar no peito dá trabalho, gasta energia, ainda mais quando a coisa precisa de tanta insistência. Sofia precisava ganhar peso para ter alta. Logo, se eu tirasse o peito e desse a mamadeira, ela teria alta mais rápido. E foi o que fiz. Eu dava uma enrolada, fingia que ela tinha pegado um pouco o peito e, em seguida, enfiava a mamadeira na boca dela. Claro que eu só fiz isso porque sabia que ela estava próximo de ganhar o peso necessário para a alta. Eu calculei cada passo, inclusive o seguinte.
Quando a Dra. Célia veio com a notícia da alta, ela logo perguntou: “ela está mamando no peito?”. Como não sei mentir, confessei: “mais ou menos”. E ela indagou: “o que você vai fazer?”. Aí contei meu plano: “vou contratar uma doula”. Ela sorriu e me deu a alta.
No primeiro dia de Sofia em casa, liguei para uma doula que uma amiga havia indicado. Ela havia ganhado bebê e não podia me ajudar, mas como elas têm uma rede linda de viver, logo chegou até mim a Fabíola Cassab, doula especializada em amamentação e mãe da Matrice – Ação de Apoio à Amamentação. Era tudo o que eu precisava.
Meu pai, acostumado com minha mãe, que amamentou três filhos sem problema algum não conseguia acreditar no que eu estava fazendo. Aliás, até hoje ela acha que foi um absurdo eu ter pagado a alguém para me ensinar a dar de mamar. Não foi. Pelo contrário. Foi o dinheiro mais bem gasto de toda uma vida.
Eu passei cinco horas fechada no quarto com a Fabíola e a Sofia. Eu já não estava mais tomando o remédio há 10 dias, mas tinha muito, muito leite. Fiquei todo esse tempo sem blusa, na frente de uma estranha, completamente entregue à sua voz calma, seu olhar acolhedor e seu sorriso acalentador. Aquele quarto se tornou o nosso templo. Ali, Fabiola me ensinou que não havia limitação em meu seio. Que meu bico não era um empecilho. Que era possível eu me conectar à minha filha e ajudá-la a ter forças para mamar. Ali, eu aprendi a entender a Sofia e saber o que ela queria, o que ela precisava e o que ela sentia. Naquelas cinco horas, Fabiola me alimentou, me abraçou, me ouviu e me ensinou que o poder estava comigo e com a Sofia, bastava que nós o acessássemos. E conseguimos.
Como ela era prematura, era preciso dar de mamar a cada 3 horas. Mas isso era um sufoco. Além de ser desgastante para mim, era para ela também. Afinal, ela dormia muito e eu tinha que acordá-la. E quem gosta de ser acordado? Assim, na mamada das 3h da manhã, era uma luta, ela chorava, se irritava e não mamava. Para diminuir o sofrimento, eu tirava meu leite e dava na mamadeira.
Discretamente, com a delicadeza que só quem conhece a Fabiola sabe, ela foi tirando essa ideia de mim e me mostrando que era possível que essa mamada fosse tranquila também. Essa segunda fase, aprendi por meio de seu apoio virtual e suas ligações para saber como tudo estava indo. Em menos de uma semana, depois de nosso encontro, Sofia já não sabia mais o que era mamadeira.
Hoje, minha menina já está com seis meses e, desde que nasceu, por assim dizer, se alimenta do meu leite. Desde que teve alta do hospital, ela mama em meu peito. Meu leite ainda é sua única e exclusiva fonte de alimentação. E ela mama muito, o tempo que quiser e sempre que quer. E ela cresce linda e contente, com peso ótimo, com altura idem. Sua saúde é de ferro e ela nem lembra mais aquela menina que veio ao mundo pesando pouco mais que um saquinho de açúcar.
O leite materno é o alimento mais poderoso e inteligente que existe. Ele é vivo. O leite materno se adequa a cada fase do bebê, para dar a ele exatamente o que precisa. Inclusive, o leite de mães de prematuros é diferente, porque o corpo sabe que aquele bebê nasceu antes e precisa de um alimento diferenciado. Isso não são palavras minhas, é comprovado cientificamente.
Se alguém te disser que seu leite é fraco, que você não tem leite – ou tem pouco – e que, por algum motivo, você não conseguirá amamentar, sorria, vire as costas e esqueça. Tudo isso é mito, senso comum, balela. Se estiver com medo ou dúvida, busque ajuda. E lembre da Sofia. Amamentar é possível. Amamentar é uma prova de amor que você dá ao seu filho.

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